IECLB Planalto Médio

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quinta-feira, 28 de março de 2013

Quinta-Feira Santa




Com a celebração da Quinta-Feira Santa se dá o início do Tríduo Pascal, que tem como centro o grande mistério da nossa redenção: a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Somos convidadas/os a celebrar a Nova Aliança, selada com o corpo e Sangue do Filho de Deus. Na Quinta-Feira Santa o Senhor instituiu a Santa Ceia e nos deu o mandamento do amor fraterno: Amai-vos uns aos outros...
Na celebração, em algumas comunidades, acontece o lava-pés que significa o amor de Cristo que veio para servir e não para ser servido (Mt 20.8). O mandato de Jesus de lavar os pés mutuamente é algo extremamente significativo, pois estamos num mundo marcado pela exclusão e pela competição e Ele nos mostra um mundo de humildade e serviço.
Quinta-Feira Santa, caminho da Sexta-Feira Santa (Morte de Jesus), caminho do Domingo de Páscoa (Domingo da Ressurreição) que é um convite para nos deixamos transformar pelo ressuscitado. Ele, ainda hoje, através de sua Palavra e Sacramentos, se revela, envia, capacita, dá tarefa e vence nossa incredulidade. Transforma nosso medo em coragem, acomodação em ação e incredulidade em fé. Podemos estar certos de que Tomé, por exemplo, não chegou à fé só pelo que disse, ou porque pôs os dedos nas feridas ou ainda por ter falado com Jesus. Fé não é resultado da razão. Somos levados, chamados e capacitados por Deus para crer.
Disse Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isso?. João 11.25
No Cristo ressurreto temos Vida, Vida em transformação, Vida em Ressurreição!



P. Sin. João Willig


domingo, 24 de março de 2013

Domingo de Ramos

Hosana ao Filho de Deus!


O que celebramos no Domingo de Ramos?
Que atitudes bem distintas no Domingo de Ramos. Inicialmente Jesus é recebido com festa, mas depois é condenado à morte. As pessoas que cantavam Hosana também gritavam crucifica-o. O Jesus triunfante que entra em Jerusalém é aquele que seria humilhado na cruz. Que tamanha contradição, não é mesmo?
Será que nós não somos assim também? Quantas contradições temos em nossas vidas. Tantas vezes parecemos àquela multidão que se une no Hosana ao messias, mas O recusamos diante da Cruz. As escolhas de Jesus devem sempre nos levar a refletir sobre nossas escolhas. Também podemos escolher estar em evidência. Podemos aplaudir ou sermos aplaudidos. Podemos escolher uma atitude religiosa de êxtase, de gratificação fácil. O crucificado nos convida a uma outra opção: escolher a discrição, o serviço simples sem reconhecimento. As escolhas constituem um paradoxo: o triunfo fácil nos destrói, enquanto o caminho da cruz nos leva a verdadeira vida.
Vamos celebrar a Páscoa. Vamos lembrar e agradecer o presente que recebemos: o perdão de nossos pecados. Que nos próximos dias, nas celebrações, Cultos, Tríduo Pascal, encontro com famílias, oportunidades de estar junto com pessoas queridas, possamos olhar o Cristo crucificado, reconhecer nossos pecados e ser gratos a Deus pelas bênçãos. Na tua família, na tua Comunidade, que você tenha uma abençoada Semana Santa.

HOSANA HEY! HOSANA HA!
Hosana hey, Hosana hey,
Hosana ha!
(bis)
Ele é o santo,
é o filho de Maria
É o Deus de Israel,
é o filho de Davi!
Vamos a ele
com as flores dos trigais,
com os ramos de oliveira,
Com alegria e muita paz!
Ele é alegria,
é a razão de meu viver
é a vida de meus dias,
É o amparo no sofrer





P. Sin. João Willig

sexta-feira, 15 de março de 2013

Onde está Deus?



“Então quem pode nos separar do amor de Cristo? Serão os sofrimentos, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, o perigo ou a morte? Em todas essas situações temos a vitória completa por meio daquele que nos amou. Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor”. (Romanos 8.35, 37-39)
A pergunta pela presença de Deus em meio ao sofrimento sempre retorna a cada catástrofe acontecida, a cada perda de uma pessoa querida, a cada acidente sem explicação e, talvez de forma não tão explícita, a cada momento de dificuldade e dor que temos de enfrentar em nossa vida. Lembro, em especial, de um acontecimento que ainda está muito presente em nossos pensamentos e em nossas conversas. No entanto, a reflexão e incompreensão que este fato provocou não é um fenômeno isolado. Ela acontece sempre que somos tomados pela dor.
O acontecimento a que me refiro se trata da tragédia ocorrida em Santa Maria, em janeiro deste ano. Talvez, diante do ocorrido, muitos de nós nos fizemos uma pergunta: “Por quê?” “Por que Deus permite uma coisa dessas?” Como um Deus que confessamos ser todo-poderoso pode deixar que esses jovens morressem de uma forma trágica e tanta dor viesse sobre suas famílias?
Apesar de todo o esforço da mídia e da justiça em busca de uma explicação, de um fator causador de tamanha tristeza, ainda não se conseguiu encontrar resposta e conforto para as famílias que perderam seus entes queridos. Toda a mobilização das autoridades também não é suficiente para atribuir uma razão ao que aconteceu.
Quando passamos por algum período de tormenta em nossa vida, fica difícil crer nas palavras de Cristo, quando ele diz “eu vim para que vocês tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10.10). Deus é confessado por nós como “Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra”. Mas, na hora da dor profunda, da angústia, vem a pergunta: “Por que Deus permitiu?” Porém, creio que também nos cabe fazer outra pergunta: “Será que Deus realmente permitiu?”
Reflita comigo: Deus nos ensina a cuidarmos de nossa vida como um dom precioso! E por isso, temos a incumbência de também cuidarmos uns dos outros. Ele nos ensina a vivermos com dignidade a partir da partilha, do serviço e do amor! Foi Deus quem fez um show pirotécnico em um ambiente proibido? Foi Deus quem estava na porta permitindo a superlotação do ambiente em questão? Foi Deus quem construiu apenas uma saída de emergência?
A vida de Cristo nos mostra que a vontade de Deus é muito diferente das centenas de mortes. Em todo o seu falar e agir, Jesus sempre apontou para a vida que Deus cria e mantém. Ele sempre ensinou, ajudou, animou, curou e salvou. Nunca fez algo que promovesse a morte e o sofrimento. Portanto, também não era da vontade de Deus que os jovens em Santa Maria falecessem. O ocorrido é fruto da irresponsabilidade humana. Quando o ser humano esquece-se de Deus, ele o desrespeita e pode colocar em perigo a vida, tanto a sua como a de outros.
O que significa então dizer que Deus é todo-poderoso? Como ele pode ser todo-poderoso se ele não pode evitar o sofrimento? Significa não pensar no seu poder como mágicas sobrenaturais. Deus não é um mágico. Deus é amor. É disso que a Bíblia nos dá testemunho. Acima de tudo, Deus é amor. Todo-poderoso significa que ele tem a primeira e a última palavra sobre a realidade, sobre a criação. Ele é o princípio e o fim, e não a morte e o sofrimento o são. Deus é todo-poderoso em amor. Sua fraqueza se torna a força para salvar e redimir a humanidade. Foi o que ele fez na cruz. Deus, na sua expressão mais fraca e impotente, se tornou a maior força salvadora para a humanidade.
Onde estava Deus, então, naquela noite da tragédia na boate Kiss? O Deus poderoso em amor estava lá, sufocando em meio a fumaça com seus filhos e filhas. Estava lá com os bombeiros tentando apagar o fogo. Estava lá com os voluntários quebrando paredes na esperança de ainda encontrar vida. Estava lá chorando com as mães e pais. Estava lá recebendo os mortos em seus braços. E esteve também nos hospitais com os jovens e médicos que lutavam pela sua recuperação. O Deus amor se manifestou através da solidariedade de inúmeras pessoas para com aqueles e aquelas que ainda choram.
Onde está Deus na hora em que passamos por um momento difícil e doloroso? Certamente, ele não está sentado num trono de ouro, assistindo tudo o que nos acontece lá do céu. O Deus todo-amoroso esta justamente ao nosso lado, nos ajudando a enfrentar e passar pela tempestade. A revolta para com Deus, a dúvida fazem parte do sofrimento. Mas, negar a Deus na hora da tragédia não faz o sofrimento desaparecer. A razão pode não compreender. Mas o coração se agarra na fé. Fé no Deus amor que nunca irá se conformar com o sofrimento. Essa fé tem a certeza de que Deus se compadece da sua criatura e tem a promessa de todas as lágrimas serem enxugadas.
O Reformador, Martim Lutero, também refletiu sobre a angústia e tristeza que nos sobrevém na dificuldade. Ele concluiu que as respostas que procuramos, nem sempre encontraremos. Entretanto, temos a certeza de na hora mais escura e tenebrosa, encontraremos um Deus amoroso que nos acompanha e segura a nossa mão, até que tenhamos atravessado o perigo. Compartilho com você algumas palavras de Lutero: “Deus faz com que as coisas sempre vão morro acima, morro abaixo e, logo, outra vez, morro acima. Ora é noite, ora é dia, e logo volta e ser noite, e nem sempre é dia. O dia e a noite se sucedem, assim que ora é noite, ora é dia e, logo em seguida, é noite outra vez. É assim que ele governa a sua igreja cristã, como mostram todas as histórias do Antigo e do Novo Testamento. E isso se chama força, a saber, que o Senhor não é conselheiro e consolador daqueles que se limitam a palavras e não fazem nada além disso. Não, ele também ajuda para que tudo seja superado. Quando estamos em meio à tentação, ele nos dá seu fiel conselho e nos fortalece com sua palavra, para que não desfaleçamos de fraqueza, mas possamos ficar firmes”.
Querido leitor, querida leitora, confiemos e nos entreguemos às mãos protetoras de Deus, tendo a certeza de que nada nos separa do seu amor!
Continue a refletir lendo o Salmo 27.


Beatriz Regina Haacke