IECLB Planalto Médio

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domingo, 24 de julho de 2016

32ª Edição do Festival do Imigrante - Coqueiros do Sul


IECLB em Coqueiros do Sul
No domingo 24 de julho de 2016 aconteceu mais uma edição do Festival do Imigrante no município de Coqueiros do Sul.
Fomos brindamos com um belo dia de sol que veio para alegrar e aquecer um dia de festa que acontece em meio a um inverno rigoroso. As festividades deram início com o momento da dispensa do Serviço Militar dos jovens nascidos no ano de 1998. Este momento acontece tradicionalmente a cada ano no dia que encerra as festividades do Festival do Imigrante. Os jovens prestaram o Juramento à Bandeira e receberam o Certificado de dispensa.
Logo após este momento aconteceu uma singela celebração alusiva aos Imigrantes, Colonos e Motoristas. A celebração esteve a cargo da Pastora Sonja Hendrich Jauregui e da ministra católica Loreci Kussler que veio representando o Pe. Avelino Pinzetta da Comunidade Católica Sagrado Coração de Jesus de Coqueiros do Sul.

Pa Sonja e Sra. Loreci
A celebração iniciou com o hino Pai Nosso do cantor evangélico Ernani Luís. A seguir a missionária Loreci trouxe uma saudação e a pastora Sonja transmitiu uma mensagem a partir do Evangelho previsto para o domingo (Lucas 11.1-13) que fala sobre o momento que Jesus ensina a orar o Pai Nosso. A partir deste texto a Comunidade foi desafiada a ser exemplo.
Palavras da Mensagem:
“Quando nos encontramos em reuniões da Igreja ou em outros espaços em muitos momentos temos a oportunidade de compartilhar algo que vivemos e aprendemos com nossos pais, avós ou mesmo com uma pessoa amiga. São experiências que são lembradas com carinho. São momentos de oração, de força na adversidade, de ajuda e orientação em momentos de dúvida... Quantas coisas sabemos hoje que aprendemos com as experiências de vida de outras pessoas. Quanto temos hoje graças a força e a garra de nossos antepassados, de pessoas que com coragem e fé saíram de sua terra natal em um momento de muito sofrimento e vieram ao Brasil em busca de um lugar melhor para viver. E junto consigo em suas bagagens trouxeram o que os ajudou a ter a certeza que Deus estaria com eles nesta peregrinação. Trouxeram a sua Bíblia, o seu hinário, o catecismo, o seu livro de oração. E com estes livros procuraram ser exemplos às novas gerações, ensinando a orar e o valor da fé na vida de cada pessoa. Construíram a Igreja e passaram este valor aos seus filhos e netos.
Este é certamente um legado precioso que recebemos de nossos antepassados e que é urgente resgatarmos. Oração, ou seja, orar com ação... Orar e agir para que as relações humanas sejam amorosas e comprometidas com a paz e a justiça. Se estamos aqui neste Festival de Imigrantes e iniciamos este dia com um momento de oração e reflexão da palavra bíblica significa que esta herança recebemos de nossos antepassados. A mais preciosa... APRENDEMOS PELO EXEMPLO. Que exemplos temos passado as novas gerações? Fica a pergunta para que cada pessoa possa responder. Fica o compromisso de todos nós para construirmos a cada dia um lugar bom para viver...
Com certeza, muito mais fácil e leve se torna a vida quando partilhada e vivida em comunidade. E isso nós podemos aprender com os primeiros imigrantes que pisaram neste chão. A cada dia pedir em oração que Deus nos proteja, que ele nos guie e que ele nos ajude a realizar as tarefas do próximo dia. Jamais nos esquecendo de que Deus é um Deus da vida. Vida que se renova a cada dia na comunhão, na solidariedade, na partilha da Palavra, na oração, na acolhida entre os diferentes irmãos e irmãs.”
Logo após a mensagem fomos convidados e convidadas a orar o Pai Nosso de mãos dadas, formando uma bela corrente de oração que roga a Deus a sermos fortes e perseverantes em ser exemplo às gerações mais jovens.


A seguir aconteceu o tradicional desfile cívico. Como acontece a cada ano várias pessoas mostraram com criatividade o dia-a-dia do agricultor e do motorista O desfile foi aberto pelas soberanas do Município de Coqueiros do Sul e as soberanas eleitas para este Festival do Imigrante. Terminado este momento especial as festividades deram continuidade no almoço e baile na Sociedade de Cantores Niegedacht.



sábado, 18 de junho de 2016

Tudo Muda!



Tirei do baú do meu coração, de muitas lembranças, lágrimas, sobressaltos de anteontem, de hoje e de amanhã, uma palavra tão consoladora quanto revolucionária, tão aconchegante quanto desconfortável: Tudo muda!

Todo Cambia (uma interpretação de Mercedes Sosa): Muda o superficial, também muda o que é profundo, Muda o modo de pensar, muda tudo neste mundo! Muda o clima com os anos, muda o pastor com seu rebanho. E assim como tudo muda, que eu mude não é estranho. Sim, é claro, tudo muda! Veja a natureza, a sucessão das estações, as ressacas e as marolas, os ventos, os vendavais... Veja os campos cultivados, e até as plantas do cerrado... tudo, tudo muda! “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” 1 Coríntios 5.17. Veja, tudo muda! Muda, tudo muda!

Muda o mais fino brilhante - de mão em mão – seu brilho. Muda o ninho do passarinho, muda o sentir de um amante. Muda o rumo, o caminhante, ainda que isso lhe cause sofrimento. E assim como tudo muda que eu mude não é estranho. Aquele próspero comércio do interior, hoje não passa de ruínas, e quantas lindas e caríssimas sepulturas estão hoje abandonadas, as letras, datas e nomes, todas apagadas... e a gente, que muitas vezes se acomoda, pensando que o tempo nos pertence: “Daqui a dois anos, vou visitar o meu tio...” Ou então, inflados de orgulho, olhamos para o nosso patrimônio, para nosso físico invejável, para nossa vida maravilhosamente construída e pensamos: “nada poderá nos abalar”. Esquecemos de que o mundo, nossa vida, e tudo ao nosso redor, é tão dinâmico, está em constante transformação... muitas vezes a mudança de rumos traz sofrimento ao caminhante, dores, perdas... é preciso ter coragem para confiar em Deus com radicalidade, até quando estamos andando nos desertos da vida,  “Pois eis que crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas antigas, jamais haverá memória delas” Isaías 65.17 Veja, tudo muda! Muda, tudo muda!

Muda o sol o seu caminho quando a noite vigora. Muda a planta e se veste de verde na primavera. Muda a pele da fera, muda o cabelo do ancião. E assim como tudo muda que eu mude não é estranho. Que tantas coisas mudem, Jesus já pedia e clamava: pelo fim da hipocrisia, do amor sem amor, do culto bonito e descompromissado do amor ao próximo, aos pequeninos e pequeninas. Vê, tudo muda! Jovens hoje vão às ruas e cantam, como cantávamos nós: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte, a gente quer saída para qualquer parte (Titãs)” Quanta “luteranidade”, quanta vontade de retomar, reconstruir, fazer o novo, denunciar o velho, gasto, opaco, escondido... “A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço.” Martim Lutero. Veja, tudo muda! Muda, tudo muda!

Mas não muda meu amor por mais distante que eu me encontre, nem a lembrança, nem a dor de meu povo e minha gente. O que mudou ontem terá que mudar amanhã, assim como mudo eu nesta terra distante. Nesse mundo onde tudo é tão dinâmico e mutável, onde todas as coisas são de fato, relativas, como relativa era a teoria da relatividade, de Einstein, tudo muda. Mas continuamos sendo os mesmos, as mesmas. O nosso “ser humanidade” permanece. Tudo pode mudar, mas o que está dentro de nós – O AMOR – permanece. Amor revelado em Cristo, mas que somos desafiados e desafiadas a revelar a cada irmão e irmã para que tudo o que muda, e sempre muda, possa apontar para um único e seguro caminho: o AMOR de Cristo, que abala as estruturas de todas as injustiças e pecados, e nos faz viver, como quem canta nas ruas: “Eu – JESUS – vim para que todos tenham vida, e a tenham EM ABUNDÂNCIA.” João 10.10

Paz e bem!



Pastora Carla Andrea Grossmann






segunda-feira, 6 de junho de 2016

Vivemos o fim do mundo





As circunstâncias que estamos vivendo são realmente incríveis, por conta de tudo que está acontecendo, sem que tenhamos condições de processá-las e entendê-las: a alucinante velocidade das transformações, as mudanças de comportamento e compreensão do fenômeno existencial, valores e crenças milenares duramente questionados e se desfazendo como castelos de areia, pouco ou nada resiste à pós-modernidade. 



Em decorrência de tudo isso, as pessoas de mais idade estão compreensivelmente confusas diante da perda de certezas que orientaram gerações e que de repente parece que não valem mais. A pós-modernidade, entretanto, não disse a que veio e não definiu limites e valores para o mundo de hoje. Aparentemente, a vida corre solta, sem amarras, sem princípios, regida pela liberdade absoluta, marcada pelo individualismo selvagem, retrocedendo aos tempos bárbaros, que a civilização parecia ter superado e convertido em humanismo. 



Estamos com saudades de nós mesmos, dos tempos seguros do território, marcado por normas e princípios claros, assimilados ao longo da vida, sem que a vida corresse risco, quando as pessoas conviviam fraternalmente, repartindo com a vizinhança o resultado da colheita como sinal de gratidão pela fartura. E quando se carneava um animal, uma parte ia para o vizinho, e assim acontecia reciprocamente. 



Tal prática ainda pode estar acontecendo em regiões remotas, mas poderia estar sendo preservada mesmo na realidade urbana, por conta de um bolo que se faça ou de frutas que eventualmente se tragam do interior, enfim, os sinais marcantes de humanismo não precisariam desaparecer por conta do progresso e a consequente urbanização. Quantas pessoas solitárias ficariam felizes por estarem sendo lembradas... Este seria o verdadeiro Evangelho sendo vivido na prática!



A vida não é o que estamos fazendo dela. Violência, insegurança, desamor com o próximo, ganância, desrespeito à natureza, velocidade absurda para chegar antes do outro, colocando em risco a vida de inocentes é o triste quadro do nosso tempo.



O fim do mundo é a loucura que estamos permitindo que nos transforme em seres belicosos, ameaça permanente à vida e à harmonia das criaturas, que deveriam ser um templo de consagração à vida e ao amor. 


OSVINO TOILLIER – Mestre em Educação e Vice-Presidente do SINEPE/RS


sábado, 28 de maio de 2016

QUEM É JESUS CRISTO?



Jesus Cristo é a encarnação (presença viva) do amor de Deus (João 3.16). Jesus transmitia este amor de Deus no seu ensino, nas suas curas, em toda sua forma de viver. Jesus não queria que as pessoas apenas ouvissem esta mensagem sobre o amor de Deus, mas que também a compreendessem, a guardassem e a vivessem em seu dia-a-dia. Jesus Cristo com sua forma de pensar, falar e agir – testemunhado nas Escrituras Sagradas – nos ensina a viver conforme a vontade de Deus.

Jesus Cristo é o filho de Deus que viveu entre a humanidade, feito gente, para falar do amor de Deus. Ele nos trouxe a proposta de vida do Deus Criador, e a viveu até suas últimas conseqüências. As pessoas rejeitaram esta proposta e o mataram, mas Deus venceu a morte e o ressuscitou dentre os mortos.

Toda pessoa que crê em Jesus Cristo receberá a Salvação, a vida eterna e ressuscitará no final dos tempos e participará do Reino de Deus. Enquanto aguardamos a volta de Cristo, o Espírito Santo nos encoraja e ilumina a nossa vida para vivermos e testemunharmos a fé no Deus que se manifesta à humanidade como Pai, Filho e Espírito Santo.


                                                                       Sonja Hendrich Jauregui




domingo, 22 de maio de 2016

Domingo da Santíssima Trindade



Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém. Assim iniciamos os nossos encontros comunitários com Deus. Ouvimos está expressão desde pequenos, mas se perguntados certamente não saberíamos explicar com precisão o seu significado. Sabemos que Deus é um, mas se mostra de três formas diferentes: como Pai e Criador, como Jesus Cristo, o Filho e como Espírito Santo, o Santificador. Mas não sabemos muito mais do que isso. Como alguém certa vez disse: Impossível de entender, difícil de explicar.
Não encontramos nas Sagradas Escrituras a expressão Trindade ou Santíssima Trindade. Mas, segundo Jaci Maraschin a Igreja Cristã usa esta expressão para expressar “a natureza de tudo o que é ensinado nas Escrituras”.
A Igreja primitiva via na doutrina da Trindade o resumo do conteúdo da revelação cristã. Assim, quando a Igreja confessa Deus como Pai, Filho e Espírito Santo quer mostrar o jeito que Deus se revelou à humanidade e também a maneira como esta revelação acontece no mundo, na Igreja e na vida das pessoas.
A doutrina cristã da Trindade revela o conteúdo vivo da fé cristã em Deus, mas também certifica a unidade dessa fé. Cremos num Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Conhecemos a Deus através da vida e da obra de Jesus Cristo e só conseguimos compreender o sentido essencial dessa obra através da ação constante do Espírito Santo. Nenhuma das pessoas da Trindade pode ser deixada de lado e nenhuma pode ser elevada como a mais importante. Se isso ocorrer, de certa forma coloca a fé cristã em perigo.
O conceito da Trindade nasce do relacionamento da comunidade cristã com Deus e tem como base a sua experiência histórica e social. “A comunidade cristã acreditava que Deus, criador de Céu e da Terra, revelava-se através da História de Israel, e que mais tarde havia se mostrado na pessoa humana de Jesus. Acreditava, ainda, que enquanto comunidade de fé, mantinha-se reunida pelo mesmo poder de Deus”.
No tempo em que a doutrina da Trindade foi elaborada tinha como pano de fundo a necessidade de responder a perguntas importantes que tinham relação com a revelação de Deus e as conseqüências disso para a vida humana. Assim, a comunidade cristã elaborava a sua fé em Jesus Cristo, afirmava de que o Deus que se revela em Jesus Cristo é Deus verdadeiro e que pelo seu Espírito Santo pode-se chegar a “toda verdade”.
E hoje? Assistimos, com tristeza, a divisão do povo de Deus. Na maioria das vezes por causa do atentar mais para uma das pessoas da Trindade. Assim como no princípio da cristandade, hoje urge firmar a fé no Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Desta forma estaremos testemunhando a nossa fé no Deus Criador, vendo a terra e a vida como dádivas de Deus. Estaremos, também, testemunhando a nossa fé no Deus Redentor, o Cristo. Conseqüentemente estaremos sempre prontos a trabalhar por uma vida humana digna, livre, amorosa e justa, contra tudo aquilo que nos afasta do Reino de Deus. E, certamente, estaremos testemunhando a nossa fé no Deus Espírito Santo, que sempre atua ao longo da vida humana, nos dando forças e coragem para lutar contra as forças do mal.
Que a nossa fé esteja sempre alicerçada no trino Deus, em nome de quem fomos batizados, portanto seus filhos e suas filhas. E que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo nos abençoe, oriente e fortaleça. Amém.


Pa. Sonja Hendrich Jauregui


domingo, 15 de maio de 2016

A Festa do Pentecostes


A Festa do Pentecostes era basicamente agrícola, celebrada com entusiasta alegria e muitas solenidades, porém, total e exclusivamente dedicada a Yahweh (Dt 16.10), o Deus da Vida e Criador do Universo. Nesta ocasião agradecia-se a Deus pela "dom da terra, das sementes e de seus frutos" (e por toda a criação divina). Também se reafirmava o compromisso de fraternidade entre as famílias e tribos (especialmente hebreias), mas igualmente renovava-se a solidariedade e a justiça com todos os povos, ou seja, era uma "celebração ecumênica" onde reinava a partilha e a Paz.
Já a "adaptação e ressignificação" da Festa do Pentecostes (que acontece cinquenta dias após a Festa da Páscoa) para a Tradição Cristã está registrada no Novo Testamento, (At 2, At 20.16 e 1 Co 16.8).
A Festa do Pentecostes que a Igreja de Jesus, o Cristo de Deus, celebra nos dias de hoje está ligada basicamente ao relato de Lucas no capítulo dois do livro dos Atos dos Apóstolos. Neste texto (At 2.1-13) o fenômeno que lá ocorreu de alguma maneira mexeu e transformou a vida daquelas pessoas que estavam reunidas no Tabernáculo, pois, "cheios do Espírito Santo começaram a falar em outras línguas" e houve grande alarido porque cada um os entendia na sua própria linguagem. A partir deste evento elas nunca mais foram as mesmas e o mundo todo passou a conhecer a mensagem de Jesus Cristo. Este acontecimento é considerado a "fundação da Igreja" e a ocasião em que seus discípulos/as compreenderam sua Boa Notícia e passaram a colocar em prática a ordenança evangélica de seu Mestre: Ide por todo o mundo... (Mt 28.19ss).
Ao lado de muitas outras referências ao Espírito Santo, têm relevância e grande significado a que se encontra registrada em João 20.22: Jesus soprou sobre eles e disse: recebam o Espírito Santo!
Os símbolos que se referem ao Espírito Santo são múltiplos: sopro, vento, pomba, dedo de Deus, fogo, luz, água, Espírito da verdade, Consolador, etc.
Todos receberam o Espírito Santo e por isso em sua vida e ministérios devem demonstrar que são portadores dos "sinais espirituais" reconhecidos na Tradição Cristã como os Sete dons do Espírito Santo: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Ciência, Fortaleza, Piedade, Temor a Deus.
É bom lembrar que o número sete no contexto bíblico significa universalidade, totalidade, perfeição e, por isso, estes "sete dons" devem vir acompanhados dos frutos do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22-23). Estes frutos não só os complementam os dons como permitem que através deles os filhos e filhas de Deus sejam conhecidos, como Jesus afirma: "pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7.16ss).
(Fonte: CEBI)



Depois da morte de Jesus encontramos trancado numa casa um grupo de pessoas amedrontadas e desanimadas. Estão juntos, porque precisam de apoio mútuo. Ficam recordando o passado. Há poucas semanas, o seu amigo e companheiro tinha sido condenado e executado. Recordam o convívio com Jesus, suas palavras, a sua morte e ressurreição. Estão reunidos sem saber o que fazer, esperando que Deus faça algo. Mas estão orando e ouvindo a palavra de Deus.
E, de uma hora para outra, este grupo se transforma num conjunto de pessoas animadas e encorajadas. Abrem as portas e começam a falar sem medo aos quatro ventos.
O que aconteceu com eles? Como explicar esta transformação radical?
A Bíblia diz que Deus enviou o Espírito Santo e, onde este estiver, começam a acontecer coisas milagrosas.
Mas o que significa isto?
A Bíblia fala em fogo e vento. O vento empurra, levanta, põe em movimento. O vento renova o ar viciado e faz andar. O fogo aquece e produz luz e calor. Em outras palavras: Deus põe vida nestas pessoas. E estas são levadas a falar do que este Deus tem feito nas suas vidas. Desta forma Deus começa a construir a sua igreja, uma igreja eterna, feita de pedras vivas, na qual o Cristo é a pedra angular. E o Espírito Santo está ali onde esta palavra é pregada e aceita como algo que vem de Deus, além de reunir estas pessoas numa comunidade.
Assim, Pentecostes é o contrário do que aconteceu em Babel. Ali as pessoas se separaram, porque queriam subir, chegar ao céu, queriam fazer grande o seu nome. E queriam até mesmo usar Deus como instrumento de seus planos criativos. Cada qual estava preocupado com o seu prestígio e com isto o diálogo e a comunicação ficam prejudicados. E então, as palavras, por mais banais que sejam, tornam-se meios de autoafirmação. Este tipo de religião não cria união, mas confusão e separação.
Pentecostes indica um rumo diferente. Num mundo cheio de torres, de religiões, de opiniões políticas, filosóficas e religiosas, Deus cria uma nova vida. E o faz por meio da Sua palavra. E, enquanto pessoas falam dos feitos de Deus, cria-se reconciliação e aproximação. Se com nossas simples palavras podemos aproximar, curar, animar e consolar, quanto mais não será possível com a palavra de Deus?
E esta palavra anuncia que Deus não é um Deus ausente, mas que continua a agir e jamais abandona os que nele confiam. Esta palavra une e congrega os que a ouvem e aceitam. E, uma vez aceita, esta palavra leva a falar, a servir e a amar. Ela dá nova vida, conforta, consola, guia e orienta na vida. E nos dá a certeza de que jamais estamos sozinhos neste mundo. E é, por isto, que o nosso mundo tem salvação.

Rev. Armindo L. Muller


domingo, 8 de maio de 2016

Feliz Dia das Mães?



Muitas vezes nos assustamos com as palavras e os poemas que ouvimos 
nestes dias a respeito das mães.
Nem sempre todas as mães conseguem corresponder com tudo aquilo que se fala 
a respeito delas em seu dia... 
E agora? – se perguntam. 
Somos diferentes? 
Não somos mães verdadeiras? 
O que está acontecendo comigo? 
Exatamente para esta realidade que Deus vem ao nosso encontro 
e quer nos abraçar e nos fortalecer... 
Ele diz: Não tenhas medo, pois eu estou contigo... 
Eu te dou forças, eu te ajudo, eu te protejo... 
O nosso Deus nos ama sempre e quer nos auxiliar nas adversidades 
e complexidades da vida... 
Para Deus somos sempre especiais, por isso ele nos acompanha, orienta e fortalece. 
Em Jesus, o nosso Deus reafirma esta promessa de estar sempre conosco... 
Jesus afirma que estará conosco em todos os tempos 
e circunstâncias até o final dos tempos. 
Leve esta certeza em teu coração por todos os caminhos que andares. 


Jesus disse: - Lembrem-se de que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos. Mateus 28.20


Queridas mães...


Que o teu dia seja cheio de surpresas e momentos significativos: 
este é o meu desejo e a minha oração.
Que o Deus da Vida que te presenteou com o dom da maternidade te abençoe,
te oriente e te fortaleça em todos os tempos
e em todas as circunstâncias.
Que Jesus Cristo te inspire a ser
a favor da vida sempre.
Que a luz do Espírito Santo preencha a tua vida 
e te encoraje a fazer a
diferença neste mundo tão complexo
e muitas vezes assustador.

Meu abraço carinhoso, querida mamãe!
Pa. Sonja Hendrich Jauregui

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ascensão: Momento de Despedida?



“Não vou deixá-los abandonados, mas voltarei para vocês”. João 14.18
Na última quinta-feira celebramos a Ascensão de Jesus Cristo. Ou, quem sabe, nem nos lembramos de celebrar, porque não é feriado e em muitas comunidades e paróquias há tempo já não acontece mais nenhuma celebração ou culto nesse dia.
No próximo domingo estaremos celebrando mais uma vez a festa de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo, o nascimento da igreja cristã.
Quando Jesus se despediu de seus discípulos e seguidores, ele disse a eles: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim. ” (João 14.6).
Despedir-se de alguém que a gente ama, sempre é um momento difícil para nós. Há tristeza, dúvidas e muita emoção envolvidas. Quando chega a hora da despedida, a gente tem o sentimento de que algo está chegando ao fim. Aquelas horas ou dias de um relacionamento bom, aquele convívio e diálogo, os momentos de intensa comunhão, tudo está chegando ao fim. Só restam o abraço emocionado e o desejo de que Deus nos acompanhe. Quem já passou por essa experiência, poderá imaginar o que os discípulos e seguidores de Jesus sentiram quando ele se despediu deles. Qualquer despedida, mesmo que seja por breve período, significa para nós tristeza e também insegurança.
Jesus Cristo conhecia profundamente seus discípulos, assim como ele conhece a cada um de nós e o que se passa em nossos pensamentos e sentimentos. Na língua grega o termo “órfão” significa estar privado de seus pais, mas também sentir-se abandonado. Sentir-se abandonado, sozinho e sem saber como continuar e nem o que fazer, é sentimento muito ruim e que angustia e faz sofrer muito. Por isso, o Jesus que se despede é também o Jesus que promete voltar, que promete um outro consolador.
Se Ascensão significa despedida, tristeza, dúvida e até angústia, Pentecostes é festa, é alegria e júbilo por causa da presença do Cristo ressuscitado entre nós.
Que a festa do Pentecostes também nesse ano possa fortalecer nossa fé e nossa certeza de que não somos órfãos e muito menos precisamos nos sentir abandonados. Jesus Cristo, pelo poder e ação do Espírito Santo está sempre conosco assim como ele mesmo prometeu!

P. Rudi Kich


terça-feira, 3 de maio de 2016

Consolo de Mãe


Domingo é o Dia das Mães. É bom destacar um dia para elas, dar-lhes atenção, carinho, expressar nossa gratidão, apesar de que isso deveria acontecer todos os dias do ano. Ser mãe não é apenas uma tarefa, é antes uma missão para a vida toda e envolve todo o ser de uma mulher. Com quanta doação a mãe acompanha os seus filhos: amamentando, cuidando, limpando, socorrendo, ajudando, consolando, acariciando, protegendo, alimentando, ensinando, corrigindo, encorajando, e assim poderíamos ainda citar muitas outras ações do cuidado. Entre todos esses verbos, gostaria de destacar o “consolar”. Quantas vezes a criança precisa do consolo da mãe: quando ela se machuca, corre para a mãe, quando está com medo, chama pela mãe, quando está com fome, pede comida para a mãe. O colo da mãe é o melhor remédio para a criança doente, teimosa, machucada, sofrida.

Você lembra momentos em que procurou o colo da sua mãe? Ou lembra seus filhos procurando o seu colo de mãe? Receber aquele abraço carinhoso, juntamente com palavras de consolo como: “não chore, tudo vai passar, já vai ficar bom, estou aqui”, cura qualquer dor da criança. E ainda hoje, mesmo sendo adultos, com certeza gostaríamos de aconchegar-nos nos braços de nossa mãe em momentos de dificuldade. Mas muitas mães já não estão entre nós.
Existe, porém, alguém que está conosco sempre, nos sofrimentos e na solidão. Deus nos diz: “Assim como uma mãe consola seu filho, também eu os consolarei.” Is 66.13. Deus é esta mãe carinhosa, este Pai amoroso. Ele é o Deus de toda a consolação. Ele conhece nossa dor, solidão, os anseios mais profundos do coração. Deus está perto de nós, ele nunca nos abandona. Por isso o salmista declara: “Se meu pai e minha mãe me desampararem o Senhor me acolherá.” Sl 27.10.
Ninguém de nós precisa dizer: “Eu não tenho ninguém”, porque Deus está sempre ao nosso lado, ele vela por nós quando estamos dormindo e quando estamos andando. Sl 139.1-5. Deus nos acolhe assim como uma mãe carinhosa consola o seu filhinho. Vamos nos refugiar no colo de Deus!



A BÊNÇÃO DAS MÃES (Georg Kugler)

O Senhor, amoroso como uma mãe e bondoso como um pai,
Ele te abençoe!
Ele faça crescer a tua vida, florescer a tua esperança,
Amadurecer os teus frutos. Ele te guarde!
Ele te abrace, quando temores te sobrevierem,
Ele te proteja, quando te encontrares em dificuldades.
Ele faça resplandecer o seu rosto sobre ti!
Tal como um olhar afetuoso pode reanimar,
Assim o Senhor reacenda dentro de ti o que se petrificou.
Ele tenha misericórdia de ti!
Quando a culpa pesar sobre os teus ombros
Ele te arranque da opressão e te liberte.
O Senhor levante o seu rosto sobre ti!
Ele tenha olhos para a tua dor, te console e te cure.
O Senhor te dê a paz!
Para o corpo, bem-estar; para a alma, salvação;
Para os teus filhos e tuas filhas, futuro! Amém!

Missionária Waltraut Müller


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Existência de Deus





No decorrer da história da humanidade, vez por outra, temos como notícias em manchetes os estudos que estão sendo feitos na busca pela origem de tudo. E nessa discussão, sempre de novo, aparece a pergunta pela existência de Deus. Parece que não há como falar na origem de todas as coisas sem lembrar-se de Deus. Alguns cientistas defendem que uma vez explicado tudo, prova-se a inexistência de Deus. Entretanto, vemos que a cada descoberta e discussão sempre de novo esbarra-se no inexplicável, no mistério da vida que não há como explicar.
O Deus que conhecemos através de seu filho Jesus Cristo não quer ser explicado, ele quer que o descubramos no dia-a-dia da vida, nas relações. O nosso Deus é um Deus de relação. Por isso se torna gente como a gente. Ele quer que o sintamos a partir do relacionamento que temos com a sua criação e com as pessoas ao nosso redor, o nosso próximo. É no relacionamento entre as pessoas e a natureza que Deus se dá a conhecer. No livro Sagrado - a Bíblia - encontramos muitos textos que nos dão essa certeza.
Pensando em tudo isso, lembrei-me de uma estória que fala assim:
Havia um menino que queria encontrar-se com Deus. Ele sabia que tinha um longo caminho pela frente, portanto ele encheu sua mochila com pastéis e guaraná e começou sua caminhada.
Quando ele tinha andado umas três quadras, encontrou um velhinho sentado em um banco da praça, olhando os pássaros. O menino sentou-se ao lado dele, abriu sua mochila e ia tomar um gole de guaraná quando olhou para o velhinho e achou que este estava com fome. Então lhe ofereceu um pastel.
O velhinho, muito agradecido, aceitou e sorriu para o menino. Seu sorriso era tão incrível, que o menino quis ver de novo. Então ele ofereceu-lhe seu guaraná. Mais uma vez, o velhinho sorriu para o menino.
O menino estava muito feliz!
Ficaram sentados ali sorrindo, comendo pastel e bebendo guaraná pelo resto da tarde, sem falar um com o outro.
Quando começou a escurecer, o menino estava cansado e resolveu voltar para casa, mas antes de sair ele voltou-se e deu um grande abraço no velhinho. Este lhe deu o maior sorriso que o menino já havia recebido.
Quando o menino entrou em sua casa, sua mãe perguntou ao ver a felicidade estampada em seu rosto:
- O que você fez hoje que o deixou tão feliz?
Ele respondeu:
- Passei à tarde com Deus. E acrescentou: - Você sabe, ele tem o mais lindo sorriso que eu vi até hoje.
Enquanto isso, o velhinho também chegava em casa radiante, e seu filho perguntou:
- Por onde você esteve que está tão feliz?
Ele respondeu:
- Comi pastéis e tomei guaraná com Deus no parque.
Antes que seu filho pudesse dizer algo, ele falou:
- Você sabe que ele é bem mais jovem do que eu pensava.
Sim, é no encontro com as pessoas, no relacionamento de amor e respeito que conseguimos perceber a presença do Deus da Vida. Um abraço, um carinho, um olhar amoroso, uma conversa amigável, um ouvido atento pode transformar vidas...
É no sentir-se amado e respeitado que conseguimos ser realmente felizes, mesmo quando estamos enfrentando uma tempestade. Deus está conosco sempre, e de forma especial através das atitudes de pessoas amorosas e solidárias. Pense nisso, e sinta verdadeiramente em sua vida as mãos carinhosas do Deus que criou céus e terra e tudo o que neles existem. Amém.


Pa. Sonja Hendrich Jauregui


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Passou a Páscoa. O que sobrou?


“A mensagem da morte de Cristo na cruz é loucura para os que se perdem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” 1 Coríntios 1. 18

Passou a Páscoa. O que sobrou? Quando nossas crianças eram pequenas, depois da Páscoa, a gente encontrava papéis de chocolate, casquinhas quebradas por todos cantos da casa. A festa foi grande a gente concluía. Como é bonita a alegria das crianças com a Páscoa, mesmo que seja com o coelhinho – coitado! Tão combatido hoje! – A procura pelos ninhos enchia a casa de vida, de festa. Muito diferente dos olhares sisudos dos adultos sem graça na vida. Minha infância foi muito marcada pelas fantasias do coelho e do Papai Noel. Nem por isso perdi a fé em Jesus. Reforçou minha esperança de criança pobre num mundo mais doce e de partilha que os “peckhie” das madrinhas e padrinhos transmitiam. A mensagem que me vinha: um outro mundo é possível, de cuidado, de festa, de partilha. Loucura né?
O grande apóstolo Paulo escreve que a mensagem da morte de Cristo na cruz é loucura para os que se perdem. A cruz é cruel e é um retrato do mundo cruel. Mundo que abandona crianças, que abusa de criança, que explora crianças acabando com suas fantasias de proteção, de cuidado, de pão. Mundo que incita a juventude à bebedeira, à luxúria, a um materialismo que acaba com todo sentido de vida. Adultos que a todo custo, querem acumular bens e mais bens e se entregam á uma louca corrida que lhes rouba os anos de vida. Idosos não tem mais espaço dentro da família, são um estorvo. Essa cruz está cravada no meio do mundo e sempre vai apontar para a sexta-feira da paixão! Loucura da humanidade! Quem seriam hoje estes de quem Paulo fala: estão se perdendo?
Mas tem uns loucos neste mundo, graças a Deus! Uns loucos que creem na alegria da Páscoa, feito criança que recebe um presente! Tem umas loucas por aí levando o perfume do cuidado para com as pequenas irmãs e pequenos irmãos de Cristo. Tem uns loucos que ainda abrem a boca em favor dos oprimidos e sofridos! Que denunciam as crueldades deste mundo. Tem umas loucas por aí que descobriram que o túmulo está vazio, Cristo VIVE, Ele está entre nós, os loucos pelo amor de Deus, que vão pelos caminhos das Emaús de hoje, corajosamente colocando sinais de vida e de esperança, alimentando – pode até ser pela fantasia – a certeza de que a cruz não foi em vão. Há ressurreição! Há vida e essa precisa ser amada, cuidada, valorizada e defendida do início ao fim. Não vamos nos perder por aí no meio de santidades vazias, do medo de se doar. Podemos até errar nesta louca empreitada pela dignidade da vida, mas, podemos crer, há perdão! Meu sonho é ter uma comunidade atingida pela loucura da cruz gritando pela vida, coração ardendo por justiça, por paz, por partilha, por pão, por carinho, por cuidado! Isso é salvação!

Pa. Dulce Engster


segunda-feira, 28 de março de 2016

Tríduo Pascal na Comunidade de Coqueiros do Sul

Neste ano novamente a Comunidade em Coqueiros do Sul celebrou o Tríduo Pascal. O Tríduo Pascal é uma tradição antiga da Igreja Cristã. É a oportunidade de recordar a história da salvação
Na Quinta-feira da Paixão, recordamos a intensa convivência de Jesus com seus seguidores e seguidoras em seus últimos momentos, sua entrega por nós, através do gesto do lava-pés e da celebração da ceia pascal judaica com seus discípulos e discípulas.
A Sexta-feira da Paixão é o dia de relembrar o sofrimento e morte de Jesus na cruz. Neste ano realizamos este momento recordando a Via Sacra, o caminhar de Jesus rumo a cruz. Cada estação foi marcada por leituras bíblicas, responsórios, oração, hino e a contemplação da cruz. Durante estes momentos, as velas que simbolizavam cada estação da Via Sacra foram sendo apagada, até que tudo ficou escuro e só havia a cruz para lembrar a dor da morte cruel.
Na manhã do Domingo de Páscoa, o templo estava enfeitado com flores e panos com cores que lembram a luz do sol. A árvore da Páscoa trazia em seus galhos símbolos pascais. Representando toda a alegria pela ressurreição de Jesus o círio pascal, vela que simboliza a luz do Cristo ressurreto, foi aceso. Celebramos a Santa Ceia e uma mensagem de páscoa foi transmitida pelo presbitério da Comunidade. Crianças e adultos receberam na saída do culto um bombom com uma pequena mensagem, mimo preparado com carinho pela OASE. Assim, nos despedimos no desejo de paz e alegria neste tempo pascal.


Abaixo algumas fotos para registrar cada um destes momentos...

Quinta-feira Santa










Sexta-feira Santa







Domingo de Páscoa