Tirei do baú do meu coração, de muitas
lembranças, lágrimas, sobressaltos de anteontem, de hoje e de amanhã,
uma palavra tão consoladora quanto revolucionária, tão aconchegante
quanto desconfortável: Tudo muda!
Todo Cambia (uma interpretação de Mercedes Sosa): Muda o superficial,
também muda o que é profundo, Muda o modo de pensar, muda tudo neste
mundo! Muda o clima com os anos, muda o pastor com seu rebanho. E assim
como tudo muda, que eu mude não é estranho. Sim, é claro, tudo muda!
Veja a natureza, a sucessão das estações, as ressacas e as marolas, os
ventos, os vendavais... Veja os campos cultivados, e até as plantas do
cerrado... tudo, tudo muda! “E assim, se alguém está em Cristo, é nova
criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” 1
Coríntios 5.17. Veja, tudo muda! Muda, tudo muda!
Muda o mais fino brilhante - de mão em mão – seu brilho. Muda o ninho do
passarinho, muda o sentir de um amante. Muda o rumo, o caminhante,
ainda que isso lhe cause sofrimento. E assim como tudo muda que eu mude
não é estranho. Aquele próspero comércio do interior, hoje não passa de
ruínas, e quantas lindas e caríssimas sepulturas estão hoje abandonadas,
as letras, datas e nomes, todas apagadas... e a gente, que muitas vezes
se acomoda, pensando que o tempo nos pertence: “Daqui a dois anos, vou
visitar o meu tio...” Ou então, inflados de orgulho, olhamos para o
nosso patrimônio, para nosso físico invejável, para nossa vida
maravilhosamente construída e pensamos: “nada poderá nos abalar”.
Esquecemos de que o mundo, nossa vida, e tudo ao nosso redor, é tão
dinâmico, está em constante transformação... muitas vezes a mudança de
rumos traz sofrimento ao caminhante, dores, perdas... é preciso ter
coragem para confiar em Deus com radicalidade, até quando estamos
andando nos desertos da vida, “Pois eis que crio novos céus e nova
terra; e não haverá lembrança das coisas antigas, jamais haverá memória
delas” Isaías 65.17 Veja, tudo muda! Muda, tudo muda!
Muda o sol o seu caminho quando a noite vigora. Muda a planta e se veste de verde na primavera. Muda a pele da fera, muda o cabelo do ancião. E assim como tudo muda que
eu mude não é estranho. Que tantas coisas mudem, Jesus já pedia e
clamava: pelo fim da hipocrisia, do amor sem amor, do culto bonito e
descompromissado do amor ao próximo, aos pequeninos e pequeninas. Vê,
tudo muda! Jovens hoje vão às ruas e cantam, como cantávamos nós: “A
gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte, a gente
quer saída para qualquer parte (Titãs)” Quanta “luteranidade”, quanta
vontade de retomar, reconstruir, fazer o novo, denunciar o velho, gasto,
opaco, escondido... “A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer
preço.” Martim Lutero. Veja, tudo muda! Muda, tudo muda!
Mas não muda meu amor por mais distante que eu me encontre, nem a
lembrança, nem a dor de meu povo e minha gente. O que mudou ontem terá
que mudar amanhã, assim como mudo eu nesta terra distante. Nesse mundo
onde tudo é tão dinâmico e mutável, onde todas as coisas são de fato,
relativas, como relativa era a teoria da relatividade, de Einstein, tudo
muda. Mas continuamos sendo os mesmos, as mesmas. O nosso “ser
humanidade” permanece. Tudo pode mudar, mas o que está dentro de nós – O
AMOR – permanece. Amor revelado em Cristo, mas que somos desafiados e
desafiadas a revelar a cada irmão e irmã para que tudo o que muda, e
sempre muda, possa apontar para um único e seguro caminho: o AMOR de
Cristo, que abala as estruturas de todas as injustiças e pecados, e nos
faz viver, como quem canta nas ruas: “Eu – JESUS – vim para que todos
tenham vida, e a tenham EM ABUNDÂNCIA.” João 10.10
Paz e bem!
Pastora Carla Andrea Grossmann



