IECLB Planalto Médio

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sábado, 18 de junho de 2016

Tudo Muda!



Tirei do baú do meu coração, de muitas lembranças, lágrimas, sobressaltos de anteontem, de hoje e de amanhã, uma palavra tão consoladora quanto revolucionária, tão aconchegante quanto desconfortável: Tudo muda!

Todo Cambia (uma interpretação de Mercedes Sosa): Muda o superficial, também muda o que é profundo, Muda o modo de pensar, muda tudo neste mundo! Muda o clima com os anos, muda o pastor com seu rebanho. E assim como tudo muda, que eu mude não é estranho. Sim, é claro, tudo muda! Veja a natureza, a sucessão das estações, as ressacas e as marolas, os ventos, os vendavais... Veja os campos cultivados, e até as plantas do cerrado... tudo, tudo muda! “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” 1 Coríntios 5.17. Veja, tudo muda! Muda, tudo muda!

Muda o mais fino brilhante - de mão em mão – seu brilho. Muda o ninho do passarinho, muda o sentir de um amante. Muda o rumo, o caminhante, ainda que isso lhe cause sofrimento. E assim como tudo muda que eu mude não é estranho. Aquele próspero comércio do interior, hoje não passa de ruínas, e quantas lindas e caríssimas sepulturas estão hoje abandonadas, as letras, datas e nomes, todas apagadas... e a gente, que muitas vezes se acomoda, pensando que o tempo nos pertence: “Daqui a dois anos, vou visitar o meu tio...” Ou então, inflados de orgulho, olhamos para o nosso patrimônio, para nosso físico invejável, para nossa vida maravilhosamente construída e pensamos: “nada poderá nos abalar”. Esquecemos de que o mundo, nossa vida, e tudo ao nosso redor, é tão dinâmico, está em constante transformação... muitas vezes a mudança de rumos traz sofrimento ao caminhante, dores, perdas... é preciso ter coragem para confiar em Deus com radicalidade, até quando estamos andando nos desertos da vida,  “Pois eis que crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas antigas, jamais haverá memória delas” Isaías 65.17 Veja, tudo muda! Muda, tudo muda!

Muda o sol o seu caminho quando a noite vigora. Muda a planta e se veste de verde na primavera. Muda a pele da fera, muda o cabelo do ancião. E assim como tudo muda que eu mude não é estranho. Que tantas coisas mudem, Jesus já pedia e clamava: pelo fim da hipocrisia, do amor sem amor, do culto bonito e descompromissado do amor ao próximo, aos pequeninos e pequeninas. Vê, tudo muda! Jovens hoje vão às ruas e cantam, como cantávamos nós: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte, a gente quer saída para qualquer parte (Titãs)” Quanta “luteranidade”, quanta vontade de retomar, reconstruir, fazer o novo, denunciar o velho, gasto, opaco, escondido... “A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço.” Martim Lutero. Veja, tudo muda! Muda, tudo muda!

Mas não muda meu amor por mais distante que eu me encontre, nem a lembrança, nem a dor de meu povo e minha gente. O que mudou ontem terá que mudar amanhã, assim como mudo eu nesta terra distante. Nesse mundo onde tudo é tão dinâmico e mutável, onde todas as coisas são de fato, relativas, como relativa era a teoria da relatividade, de Einstein, tudo muda. Mas continuamos sendo os mesmos, as mesmas. O nosso “ser humanidade” permanece. Tudo pode mudar, mas o que está dentro de nós – O AMOR – permanece. Amor revelado em Cristo, mas que somos desafiados e desafiadas a revelar a cada irmão e irmã para que tudo o que muda, e sempre muda, possa apontar para um único e seguro caminho: o AMOR de Cristo, que abala as estruturas de todas as injustiças e pecados, e nos faz viver, como quem canta nas ruas: “Eu – JESUS – vim para que todos tenham vida, e a tenham EM ABUNDÂNCIA.” João 10.10

Paz e bem!



Pastora Carla Andrea Grossmann






segunda-feira, 6 de junho de 2016

Vivemos o fim do mundo





As circunstâncias que estamos vivendo são realmente incríveis, por conta de tudo que está acontecendo, sem que tenhamos condições de processá-las e entendê-las: a alucinante velocidade das transformações, as mudanças de comportamento e compreensão do fenômeno existencial, valores e crenças milenares duramente questionados e se desfazendo como castelos de areia, pouco ou nada resiste à pós-modernidade. 



Em decorrência de tudo isso, as pessoas de mais idade estão compreensivelmente confusas diante da perda de certezas que orientaram gerações e que de repente parece que não valem mais. A pós-modernidade, entretanto, não disse a que veio e não definiu limites e valores para o mundo de hoje. Aparentemente, a vida corre solta, sem amarras, sem princípios, regida pela liberdade absoluta, marcada pelo individualismo selvagem, retrocedendo aos tempos bárbaros, que a civilização parecia ter superado e convertido em humanismo. 



Estamos com saudades de nós mesmos, dos tempos seguros do território, marcado por normas e princípios claros, assimilados ao longo da vida, sem que a vida corresse risco, quando as pessoas conviviam fraternalmente, repartindo com a vizinhança o resultado da colheita como sinal de gratidão pela fartura. E quando se carneava um animal, uma parte ia para o vizinho, e assim acontecia reciprocamente. 



Tal prática ainda pode estar acontecendo em regiões remotas, mas poderia estar sendo preservada mesmo na realidade urbana, por conta de um bolo que se faça ou de frutas que eventualmente se tragam do interior, enfim, os sinais marcantes de humanismo não precisariam desaparecer por conta do progresso e a consequente urbanização. Quantas pessoas solitárias ficariam felizes por estarem sendo lembradas... Este seria o verdadeiro Evangelho sendo vivido na prática!



A vida não é o que estamos fazendo dela. Violência, insegurança, desamor com o próximo, ganância, desrespeito à natureza, velocidade absurda para chegar antes do outro, colocando em risco a vida de inocentes é o triste quadro do nosso tempo.



O fim do mundo é a loucura que estamos permitindo que nos transforme em seres belicosos, ameaça permanente à vida e à harmonia das criaturas, que deveriam ser um templo de consagração à vida e ao amor. 


OSVINO TOILLIER – Mestre em Educação e Vice-Presidente do SINEPE/RS