No exato
momento em que paro para escrever esta mensagem algo me veio à mente: O Jornal
O Planalto não irá somente chegar às mãos de muitas mulheres e homens, ele irá
penetrar em seus corações e mentes e irá irrigar suas ações. Quero, então,
chegar aos corações de todas as pessoas que irão ler este jornal com palavras
do apóstolo Paulo aos Filipenses, que dizem: “...o meu grande amor por todos
vocês vem do próprio coração de Cristo Jesus. Esta é a minha oração: peço que o
amor de vocês aumente cada vez mais, junto com o verdadeiro conhecimento e a
perfeita compreensão...”. (Filipenses 1.8-9 – BLH).
Este texto é parte de uma carta que Paulo escreve para os Filipenses.
Palavra que toca o nosso coração. A geração atual não aprendeu a escrever
cartas, somos a geração do e-mail, onde tudo é mais rápido.
Se Paulo escrevesse em nossos dias talvez endereçasse esta carta em
forma de e-mail ou mensagem pelo Facebook à nossa cidade ou para cada um e cada
uma de nós.
Uma carta para anunciar uma boa notícia, pois estamos urgentemente precisando
de boas notícias. Uma carta para falar do amor que alguém sente por nós, da
saudade, da oração. Uma carta para nos alertar da necessidade de praticar o bem
e a justiça.
Por isso a notícia que Paulo anuncia não é uma notícia qualquer. Ela é
portadora de uma mensagem de (re)nascimento. Ela é uma mensagem grávida do bem
e da justiça.
Primeiramente Paulo fala da saudade e o faz em forma de agradecimento.
Somente sente saudade quem ama alguém. Ele tinha um carinho todo especial pela
comunidade dos Filipenses; afinal eles em muito o tinham ajudado. Eles eram
portadores do evangelho e eram perseverantes. Eles tinham esperança de que o
Deus que começou algo no coração dos Filipenses iria continuar operando coisas
maravilhosas.
De que nós estamos sentindo saudades? Saudades do tempo em que não
desistíamos de lutar com tanta facilidade? Saudades do tempo em que o amor era
à base de tudo e que podíamos reunir a família para festejar e para se sentir
amparado na dor e nos problemas?
Saudade! Saudade que nos faz lembrar alguém de forma muito especial...
Paulo se lembra dos Filipenses em oração... Vamos pensar um pouco como isto se
dá na nossa vida. Certamente cada um e cada uma de nós sentem saudades de
alguém que ama, que está longe ou que já morreu.
A saudade nos aproxima das pessoas, nos faz ir ao encontro. Torna-nos
espiritualmente sadios, nos leva à gratidão.
Para ilustrar, partilho uma bela e comovente história: Há alguns
anos, nas olimpíadas especiais de Seattle nove participantes, todos com
deficiência mental, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros
rasos. Ao sinal, todos partiram não exatamente em disparada, mas com vontade de
dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Um dos garotos tropeçou no
asfalto, caiu e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o
passo e olharam para trás. Então eles viraram e voltaram. Todos eles. Uma das
meninas, com síndrome de down, ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: -
Pronto, agora vai sarar! E todos os noves competidores deram os braços e
andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos
duraram muitos minutos... Talvez os atletas fossem deficientes mentais... Mas
com certeza, "não eram deficientes espirituais"... Isso porque, lá no
fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar
sozinho, é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os
passos...
Paulo além da saudade faz uma oração para que o amor aumente mais e
mais e assim as pessoas serão mais sinceras e justas para a glória de Deus. Nem
sempre é fácil. Somos pessoas pecadoras. Mas Lutero já dizia que a vida
cristã não é ser piedoso, mas tornar-se piedoso; não é ser saudável, mas
tornar-se saudável; sobretudo não um ser, mas um vir a ser; não ficar parado,
mas um exercício. Nós ainda não somos, mas o seremos. Ainda não foi feito e
ainda não aconteceu, mas está a caminho. Nem tudo brilha, mas coisas estão
melhorando. E todos nós sabemos que nem tudo é fácil.
Já dizia Cecília Meireles:
É difícil
fazer alguém feliz
Assim como é fácil fazer triste
É
difícil dizer eu te amo
Assim como é fácil não dizer
nada
É difícil ser
fiel
Assim como é fácil se aventurar
É difícil
valorizar um amor
Assim como é fácil perdê-lo para sempre
É difícil
agradecer pelo dia de hoje
Assim como é fácil viver mais um dia
É difícil
enxergar o que a vida traz de bom
Assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua
É difícil se
convencer de que se é feliz
Assim como é fácil achar que sempre falta algo
É difícil
fazer alguém sorrir
Assim como é fácil fazer alguém chorar
É difícil
colocar-se no lugar de alguém
Assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
O que Paulo quer nos desafiar para os nossos dias é que possamos
resgatar a ética do humano que vê em Deus a razão para todas as coisas, o
fundamento para todas as atitudes. O que Paulo quer resgatar é aquilo que nós
sentimos saudade, porque não conseguimos ou não queremos ser ou fazer.
Mais uma vez Cecília Meireles:
Por isso,
Se você errou peça desculpas.
É difícil pedir perdão?
Quem disse que é fácil ser perdoado
Se alguém
errou com você perdoa-o
É difícil perdoar
Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente
algo, diga
É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontra alguém que queira escutar?
Se alguém
reclama de você, ouça
É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te
ama, ame-o
É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é
fácil na vida
Mas nada é impossível, é preciso ter fé para não apenas sonhar com um
mundo do qual sentimos saudades, mas para que Deus nos ajude a tornarmos este
mundo melhor realidade, começando por nós mesmos.
Lembremos da
oração do Apóstolo Paulo: “... peço que o amor de vocês aumente cada vez
mais, junto com o verdadeiro conhecimento e a perfeita compreensão...”. Primeiro
o amor de Deus: pura doação, depois o amor que Deus nos desafia a ter: “Aquele
que ama a Deus, ame também seu irmão e sua irmã”. Procedendo assim, com certeza
teremos um mundo com mais paz, justiça, amor, solidariedade, respeito,
dignidade... Pense nisso e tenha um tempo da Quaresma, Semana Santa e Páscoa
abençoado!
Pastora Sonja Hendrich Jauregui