O início da
Colonização de Coqueiros do Sul se deu por volta do ano de 1920, com a vinda
das primeiras famílias de Augusto Jesse, Emilio Jesse, João da Silva e família
Hommerding e a família Joans. Entre os anos de 1921 até 1925 juntaram-se a
estas famílias as famílias Fischer, Spier, Fell, Roeser, Schmidt, Fleck e Petry
entre outras. Juntamente com estas famílias veio Carlos Scheffler, o primeiro
professor, que também assumiu a função de dirigir no início os cultos nas casas
das famílias.
Em Assembleia
Geral no dia 02 de julho de 1927, vinte e nove famílias decidiram fundar uma
Comunidade. A Ata de Fundação é muito curta e traz apenas a decisão da fundação
da Comunidade. A Ata vem assinada pelos membros João Jacó Meier, Pedro
Rheinheimer e Reinoldo Pilger. Provavelmente estas foram as pessoas que
formaram a primeira diretoria, sem que isso conste expressamente nesta Ata. No
início o nome dado à Comunidade foi “Comunidade Eclesiástica de Coqueiros”, com
o registro em cartório passa a ser chamada de “Comunidade Evangélica Allemã em
Coqueiros”.
Os cultos da
Comunidade inicialmente foram realizados no salão de Roberto Papke, pois ainda
não havia Igreja. Não há registros até quando o professor Carlos Scheffler
dirigiu os cultos e quando o Pastor da Comunidade Evangélica Luterana de
Carazinho começou a atender a Comunidade em Coqueiros do Sul. A primeira
criança a ser batizada na Comunidade recém-formada foi Alma Meier, nascida no
dia 21 de janeiro de 1926 e batizada no dia 18 de novembro de 1928.
Na Assembleia
Geral de 25 de agosto de 1928 a Comunidade decidiu construir sua primeira
Igreja. Decidiram que ela teria 7 metros de largura por 10,5 de comprimento. No
ano seguinte a Igreja foi construída em madeira na metade da chácara número
vinte e três, doada à Comunidade pelo casal Guerra. Nos fundos dessa chácara a
Comunidade também organizou seu Cemitério. A comissão de construção dessa
primeira Igreja era composta pelos membros Pedro Rheinheimer, João Jacob Meier,
Reinhold Pilger e Pedro Spier Filho.
Nos primeiros
estatutos da Comunidade, aprovados em 25 de janeiro de 1930 e registrado no dia
28 de janeiro de 1935 no cartório de Carazinho, consta o nome dado à
Comunidade: “Comunidade Evangélica Alemã em Coqueiros”. Os estatutos foram
escritos em livro Ata na língua alemã.
Um fato
interessante da história da Comunidade é que as atas das Assembleias foram
escritas na língua alemã até o ano de 1966, quando então as atas começaram a
ser escritas na língua portuguesa. Mesmo durante a segunda guerra mundial,
quando no Brasil foi proibida a língua alemã, as atas continuaram a ser
escritas na língua alemã.
Na Assembleia
Geral de 13 de fevereiro de 1938 foi decidida a compra de um Sino de 430 kg,
que na época custou 6.200$000 (Seis mil e duzentos réis). Os membros Leopoldo
Petry e Alberto Herli foram encarregados da compra desse sino e trazê-lo de
caminhão de São Leopoldo até Coqueiros do Sul.
No dia 10 de
abril de 1948, em Assembleia Geral, por causa da precariedade da Igreja de
madeira e por causa do grande número de membros para uma Igreja pequena, os
então 129 membros decidiram construir uma Igreja nova em alvenaria, medindo 9
metros de largura por 16 metros de comprimento. Posteriormente o comprimento
foi alterado para 19 metros. A planta da Igreja foi elaborada pelo engenheiro
G. Müller de Carazinho. No ano seguinte a Comunidade comprou quatro terrenos
defronte à Praça de Oscar Kochenborger, nos quais seria construída a nova
Igreja com torre para o sino e mais tarde também o pavilhão de festas.
Para
possibilitar a construção da nova Igreja, os membros com propriedade se
prontificaram a contribuir com Cr$ 100,00 (cem cruzeiros) e os membros que não
eram proprietários contribuíram com Cr$ 50,00 (cinquenta cruzeiros). Para
construir a nova Igreja foram contratados os mestres pedreiros Alberto
Wachenfeld de Carazinho e Klein de Cochinho, sendo auxiliados pelo pedreiro
Beno Pilger. A comissão de construção era composta pelos membros Leopoldo R.
Petry, Reinhold Pilger, Alberto Hoerle, Andréas Simon, Roberto Schneider e
Reinholdo Wentz.
A construção
da nova Igreja foi muito trabalhosa. As pedras de basalto, também chamadas de
“pedras maruadas” foram quebradas manualmente e trazidas de vários lugares com
carroças de boi. Também a água tinha que ser trazida a cada dois dias de
carroça.
O altar e o
púlpito foram construídos e doados pelo membro Osvino Pilger. Também as
aberturas e os bancos foram construídos na marcenaria de Osvino Pilger. Os
bancos foram construídos pelo empregado Willy Beulke e polidos pelo senhor
Bornhold, que conhecia essa técnica de acabamento de móveis. Durante 23 anos,
Osvino Pilger puxou o sino e sua esposa Rosa limpou a Igreja gratuitamente.
No dia 11 de
novembro de 1951 (segundo domingo de novembro), com uma festa de dois dias, a
nova Igreja foi inaugurada. A Igreja recebeu na ocasião o nome de Igreja do
Redentor e o culto de dedicação da Igreja foi abrilhantado com os corais das
Comunidades de Carazinho e Sarandi.
Em 1994 a
Comunidade de Carazinho passa a ser uma Comunidade independente e a Comunidade
de Coqueiros do Sul passa a fazer parte da Paróquia Evangélica do Planalto
Médio.
No dia 11 de
novembro de 2001, com muita alegria e gratidão a Deus e aos membros que
construíram a Igreja do Redentor, a Comunidade festejou o seu Cinquentenário.
Alguns
membros comentam que o início da Comunidade Evangélica de Coqueiros do Sul
teria sido como uma Comunidade filiada a Igreja Evangélica Luterana do Brasil
(Missouri). Outros membros afirmam que na verdade os membros fundadores é que
teriam pertencido anteriormente a essa Igreja. Até que ponto estas afirmações
conferem com a realidade precisariam ser comprovadas com pesquisa histórica.
Na Assembleia
Geral da Comunidade em 2013 decide-se mudar o nome da Comunidade, passando a
ser denominada “Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Martim Lutero”. O
registro em cartório será feito logo que for necessário atualizar os Estatutos.
Em 2015 a
Comunidade inicia uma grande e bonita reforma da Igreja Redentor. Por anos a
Comunidade foi guardando dinheiro para este fim. E agora começa a se tornar
realidade. Assim que hoje é tempo de agradecer por toda esta história de amor,
dedicação e fidelidade a Igreja de Jesus Cristo. Que o exemplo e o empenho dos
antepassados possam sempre animar em preservar e cuidar da Igreja Redentor para
as futuras gerações que seguirão.


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