IECLB Planalto Médio

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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Vivemos o fim do mundo





As circunstâncias que estamos vivendo são realmente incríveis, por conta de tudo que está acontecendo, sem que tenhamos condições de processá-las e entendê-las: a alucinante velocidade das transformações, as mudanças de comportamento e compreensão do fenômeno existencial, valores e crenças milenares duramente questionados e se desfazendo como castelos de areia, pouco ou nada resiste à pós-modernidade. 



Em decorrência de tudo isso, as pessoas de mais idade estão compreensivelmente confusas diante da perda de certezas que orientaram gerações e que de repente parece que não valem mais. A pós-modernidade, entretanto, não disse a que veio e não definiu limites e valores para o mundo de hoje. Aparentemente, a vida corre solta, sem amarras, sem princípios, regida pela liberdade absoluta, marcada pelo individualismo selvagem, retrocedendo aos tempos bárbaros, que a civilização parecia ter superado e convertido em humanismo. 



Estamos com saudades de nós mesmos, dos tempos seguros do território, marcado por normas e princípios claros, assimilados ao longo da vida, sem que a vida corresse risco, quando as pessoas conviviam fraternalmente, repartindo com a vizinhança o resultado da colheita como sinal de gratidão pela fartura. E quando se carneava um animal, uma parte ia para o vizinho, e assim acontecia reciprocamente. 



Tal prática ainda pode estar acontecendo em regiões remotas, mas poderia estar sendo preservada mesmo na realidade urbana, por conta de um bolo que se faça ou de frutas que eventualmente se tragam do interior, enfim, os sinais marcantes de humanismo não precisariam desaparecer por conta do progresso e a consequente urbanização. Quantas pessoas solitárias ficariam felizes por estarem sendo lembradas... Este seria o verdadeiro Evangelho sendo vivido na prática!



A vida não é o que estamos fazendo dela. Violência, insegurança, desamor com o próximo, ganância, desrespeito à natureza, velocidade absurda para chegar antes do outro, colocando em risco a vida de inocentes é o triste quadro do nosso tempo.



O fim do mundo é a loucura que estamos permitindo que nos transforme em seres belicosos, ameaça permanente à vida e à harmonia das criaturas, que deveriam ser um templo de consagração à vida e ao amor. 


OSVINO TOILLIER – Mestre em Educação e Vice-Presidente do SINEPE/RS


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