As circunstâncias que estamos vivendo são
realmente incríveis, por conta de tudo que está acontecendo, sem que
tenhamos condições de processá-las e
entendê-las: a alucinante velocidade das transformações, as mudanças de
comportamento e compreensão do fenômeno existencial, valores e crenças
milenares duramente questionados e se desfazendo como castelos de areia,
pouco ou nada resiste à pós-modernidade.
Em decorrência de tudo
isso, as pessoas de mais idade estão compreensivelmente confusas diante
da perda de certezas que orientaram gerações e que de repente parece que
não valem mais. A pós-modernidade, entretanto, não disse a que veio e
não definiu limites e valores para o mundo de hoje. Aparentemente, a
vida corre solta, sem amarras, sem princípios, regida pela liberdade
absoluta, marcada pelo individualismo selvagem, retrocedendo aos tempos
bárbaros, que a civilização parecia ter superado e convertido em
humanismo.
Estamos com saudades de nós mesmos, dos tempos seguros
do território, marcado por normas e princípios claros, assimilados ao
longo da vida, sem que a vida corresse risco, quando as pessoas
conviviam fraternalmente, repartindo com a vizinhança o resultado da
colheita como sinal de gratidão pela fartura. E quando se carneava um
animal, uma parte ia para o vizinho, e assim acontecia reciprocamente.
Tal prática ainda pode estar acontecendo em regiões remotas, mas
poderia estar sendo preservada mesmo na realidade urbana, por conta de
um bolo que se faça ou de frutas que eventualmente se tragam do
interior, enfim, os sinais marcantes de humanismo não precisariam
desaparecer por conta do progresso e a consequente urbanização. Quantas
pessoas solitárias ficariam felizes por estarem sendo lembradas... Este
seria o verdadeiro Evangelho sendo vivido na prática!
A vida não é
o que estamos fazendo dela. Violência, insegurança, desamor com o
próximo, ganância, desrespeito à natureza, velocidade absurda para
chegar antes do outro, colocando em risco a vida de inocentes é o triste
quadro do nosso tempo.
O fim do mundo é a loucura que estamos
permitindo que nos transforme em seres belicosos, ameaça permanente à
vida e à harmonia das criaturas, que deveriam ser um templo de
consagração à vida e ao amor.
OSVINO TOILLIER – Mestre em Educação e
Vice-Presidente do SINEPE/RS


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