A Festa do Pentecostes era basicamente agrícola,
celebrada com entusiasta alegria e muitas solenidades, porém, total e
exclusivamente dedicada a Yahweh (Dt 16.10), o Deus da Vida e Criador do
Universo. Nesta ocasião agradecia-se a Deus pela "dom da terra, das
sementes e de seus frutos" (e por toda a criação divina). Também se
reafirmava o compromisso de fraternidade entre as famílias e tribos
(especialmente hebreias), mas igualmente renovava-se a solidariedade e a
justiça com todos os povos, ou seja, era uma "celebração ecumênica"
onde reinava a partilha e a Paz.
Já a "adaptação e ressignificação" da
Festa do Pentecostes (que acontece cinquenta dias após a Festa da Páscoa) para
a Tradição Cristã está registrada no Novo Testamento, (At 2, At 20.16 e 1 Co
16.8).
A Festa do Pentecostes que a Igreja de Jesus, o
Cristo de Deus, celebra nos dias de hoje está ligada basicamente ao relato de
Lucas no capítulo dois do livro dos Atos dos Apóstolos. Neste texto (At 2.1-13)
o fenômeno que lá ocorreu de alguma maneira mexeu e transformou a vida daquelas
pessoas que estavam reunidas no Tabernáculo, pois, "cheios do Espírito
Santo começaram a falar em outras línguas" e houve grande alarido porque
cada um os entendia na sua própria linguagem. A partir deste evento elas nunca mais
foram as mesmas e o mundo todo passou a conhecer a mensagem de Jesus Cristo.
Este acontecimento é considerado a "fundação da Igreja" e a ocasião
em que seus discípulos/as compreenderam sua Boa Notícia e passaram a colocar em
prática a ordenança evangélica de seu Mestre: Ide por todo o mundo... (Mt
28.19ss).
Ao lado de muitas outras referências ao Espírito
Santo, têm relevância e grande significado a que se encontra registrada em João
20.22: Jesus soprou sobre eles e disse: recebam o Espírito Santo!
Os símbolos que se referem ao Espírito Santo são
múltiplos: sopro, vento, pomba, dedo de Deus, fogo, luz, água, Espírito da
verdade, Consolador, etc.
Todos receberam o Espírito Santo e por isso em sua
vida e ministérios devem demonstrar que são portadores dos "sinais
espirituais" reconhecidos na Tradição Cristã como os Sete dons do
Espírito Santo: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Ciência, Fortaleza,
Piedade, Temor a Deus.
É bom lembrar que o número sete no contexto bíblico
significa universalidade, totalidade, perfeição e, por isso, estes "sete
dons" devem vir acompanhados dos frutos do Espírito: amor, alegria,
paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio próprio (Gl
5.22-23). Estes frutos não só os complementam os dons como permitem que através
deles os filhos e filhas de Deus sejam conhecidos, como Jesus afirma:
"pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7.16ss).
(Fonte: CEBI)
Depois da morte de Jesus encontramos trancado numa
casa um grupo de pessoas amedrontadas e desanimadas. Estão juntos, porque
precisam de apoio mútuo. Ficam recordando o passado. Há poucas semanas, o seu
amigo e companheiro tinha sido condenado e executado. Recordam o convívio com
Jesus, suas palavras, a sua morte e ressurreição. Estão reunidos sem saber o
que fazer, esperando que Deus faça algo. Mas estão orando e ouvindo a palavra
de Deus.
E, de uma hora para outra, este grupo se transforma
num conjunto de pessoas animadas e encorajadas. Abrem as portas e começam a
falar sem medo aos quatro ventos.
O que aconteceu com eles? Como explicar esta
transformação radical?
A Bíblia diz que Deus enviou o Espírito Santo e,
onde este estiver, começam a acontecer coisas milagrosas.
Mas o que significa isto?
A Bíblia fala em fogo e vento. O vento empurra,
levanta, põe em movimento. O vento renova o ar viciado e faz andar. O fogo
aquece e produz luz e calor. Em outras palavras: Deus põe vida nestas pessoas.
E estas são levadas a falar do que este Deus tem feito nas suas vidas. Desta
forma Deus começa a construir a sua igreja, uma igreja eterna, feita de pedras
vivas, na qual o Cristo é a pedra angular. E o Espírito Santo está ali onde
esta palavra é pregada e aceita como algo que vem de Deus, além de reunir estas
pessoas numa comunidade.
Assim, Pentecostes é o contrário do que aconteceu
em Babel. Ali as pessoas se separaram, porque queriam subir, chegar ao céu,
queriam fazer grande o seu nome. E queriam até mesmo usar Deus como instrumento
de seus planos criativos. Cada qual estava preocupado com o seu prestígio e com
isto o diálogo e a comunicação ficam prejudicados. E então, as palavras, por
mais banais que sejam, tornam-se meios de autoafirmação. Este tipo de religião
não cria união, mas confusão e separação.
Pentecostes indica um rumo diferente. Num mundo
cheio de torres, de religiões, de opiniões políticas, filosóficas e religiosas,
Deus cria uma nova vida. E o faz por meio da Sua palavra. E, enquanto pessoas
falam dos feitos de Deus, cria-se reconciliação e aproximação. Se com nossas
simples palavras podemos aproximar, curar, animar e consolar, quanto mais não
será possível com a palavra de Deus?
E esta palavra anuncia que Deus não é um Deus
ausente, mas que continua a agir e jamais abandona os que nele confiam. Esta
palavra une e congrega os que a ouvem e aceitam. E, uma vez aceita, esta
palavra leva a falar, a servir e a amar. Ela dá nova vida, conforta, consola,
guia e orienta na vida. E nos dá a certeza de que jamais estamos sozinhos neste
mundo. E é, por isto, que o nosso mundo tem salvação.
Rev. Armindo L.
Muller



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