IECLB Planalto Médio

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domingo, 15 de maio de 2016

A Festa do Pentecostes


A Festa do Pentecostes era basicamente agrícola, celebrada com entusiasta alegria e muitas solenidades, porém, total e exclusivamente dedicada a Yahweh (Dt 16.10), o Deus da Vida e Criador do Universo. Nesta ocasião agradecia-se a Deus pela "dom da terra, das sementes e de seus frutos" (e por toda a criação divina). Também se reafirmava o compromisso de fraternidade entre as famílias e tribos (especialmente hebreias), mas igualmente renovava-se a solidariedade e a justiça com todos os povos, ou seja, era uma "celebração ecumênica" onde reinava a partilha e a Paz.
Já a "adaptação e ressignificação" da Festa do Pentecostes (que acontece cinquenta dias após a Festa da Páscoa) para a Tradição Cristã está registrada no Novo Testamento, (At 2, At 20.16 e 1 Co 16.8).
A Festa do Pentecostes que a Igreja de Jesus, o Cristo de Deus, celebra nos dias de hoje está ligada basicamente ao relato de Lucas no capítulo dois do livro dos Atos dos Apóstolos. Neste texto (At 2.1-13) o fenômeno que lá ocorreu de alguma maneira mexeu e transformou a vida daquelas pessoas que estavam reunidas no Tabernáculo, pois, "cheios do Espírito Santo começaram a falar em outras línguas" e houve grande alarido porque cada um os entendia na sua própria linguagem. A partir deste evento elas nunca mais foram as mesmas e o mundo todo passou a conhecer a mensagem de Jesus Cristo. Este acontecimento é considerado a "fundação da Igreja" e a ocasião em que seus discípulos/as compreenderam sua Boa Notícia e passaram a colocar em prática a ordenança evangélica de seu Mestre: Ide por todo o mundo... (Mt 28.19ss).
Ao lado de muitas outras referências ao Espírito Santo, têm relevância e grande significado a que se encontra registrada em João 20.22: Jesus soprou sobre eles e disse: recebam o Espírito Santo!
Os símbolos que se referem ao Espírito Santo são múltiplos: sopro, vento, pomba, dedo de Deus, fogo, luz, água, Espírito da verdade, Consolador, etc.
Todos receberam o Espírito Santo e por isso em sua vida e ministérios devem demonstrar que são portadores dos "sinais espirituais" reconhecidos na Tradição Cristã como os Sete dons do Espírito Santo: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Ciência, Fortaleza, Piedade, Temor a Deus.
É bom lembrar que o número sete no contexto bíblico significa universalidade, totalidade, perfeição e, por isso, estes "sete dons" devem vir acompanhados dos frutos do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22-23). Estes frutos não só os complementam os dons como permitem que através deles os filhos e filhas de Deus sejam conhecidos, como Jesus afirma: "pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7.16ss).
(Fonte: CEBI)



Depois da morte de Jesus encontramos trancado numa casa um grupo de pessoas amedrontadas e desanimadas. Estão juntos, porque precisam de apoio mútuo. Ficam recordando o passado. Há poucas semanas, o seu amigo e companheiro tinha sido condenado e executado. Recordam o convívio com Jesus, suas palavras, a sua morte e ressurreição. Estão reunidos sem saber o que fazer, esperando que Deus faça algo. Mas estão orando e ouvindo a palavra de Deus.
E, de uma hora para outra, este grupo se transforma num conjunto de pessoas animadas e encorajadas. Abrem as portas e começam a falar sem medo aos quatro ventos.
O que aconteceu com eles? Como explicar esta transformação radical?
A Bíblia diz que Deus enviou o Espírito Santo e, onde este estiver, começam a acontecer coisas milagrosas.
Mas o que significa isto?
A Bíblia fala em fogo e vento. O vento empurra, levanta, põe em movimento. O vento renova o ar viciado e faz andar. O fogo aquece e produz luz e calor. Em outras palavras: Deus põe vida nestas pessoas. E estas são levadas a falar do que este Deus tem feito nas suas vidas. Desta forma Deus começa a construir a sua igreja, uma igreja eterna, feita de pedras vivas, na qual o Cristo é a pedra angular. E o Espírito Santo está ali onde esta palavra é pregada e aceita como algo que vem de Deus, além de reunir estas pessoas numa comunidade.
Assim, Pentecostes é o contrário do que aconteceu em Babel. Ali as pessoas se separaram, porque queriam subir, chegar ao céu, queriam fazer grande o seu nome. E queriam até mesmo usar Deus como instrumento de seus planos criativos. Cada qual estava preocupado com o seu prestígio e com isto o diálogo e a comunicação ficam prejudicados. E então, as palavras, por mais banais que sejam, tornam-se meios de autoafirmação. Este tipo de religião não cria união, mas confusão e separação.
Pentecostes indica um rumo diferente. Num mundo cheio de torres, de religiões, de opiniões políticas, filosóficas e religiosas, Deus cria uma nova vida. E o faz por meio da Sua palavra. E, enquanto pessoas falam dos feitos de Deus, cria-se reconciliação e aproximação. Se com nossas simples palavras podemos aproximar, curar, animar e consolar, quanto mais não será possível com a palavra de Deus?
E esta palavra anuncia que Deus não é um Deus ausente, mas que continua a agir e jamais abandona os que nele confiam. Esta palavra une e congrega os que a ouvem e aceitam. E, uma vez aceita, esta palavra leva a falar, a servir e a amar. Ela dá nova vida, conforta, consola, guia e orienta na vida. E nos dá a certeza de que jamais estamos sozinhos neste mundo. E é, por isto, que o nosso mundo tem salvação.

Rev. Armindo L. Muller


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